Incluída na primeira grande lista de imóveis classificados como
“monumentos nacionais”, decretada em 1910, numa evidência do
reconhecimento, por parte da intelectualidade da época, do seu valor
histórico e artístico, a igreja destaca-se pela fachada rasgada por amplo
portal de arco pleno de cinco arquivoltas profusamente decorado com
motivos tão diversificados, quanto típicos do estilo manuelino, como serão
as rosetas, as palmetas e as vieiras, de par com os cordões, os medalhões,
os arabescos, etc. Sobrepujado por Pietá (ou N.ª Sra. do Pranto) ladeada
por dois escudos reais e quatro bustos cotejados a outras esculturas
renascentistas, o portal apresenta outros elementos manuelinos, como
esferas armilares encimadas por Cruz de Cristo e Flor de Lis, perfazendo
uma unidade quase orgânica coroada por óculo emoldurado. A fachada
ostenta, no entanto, componentes da campanha de obras filiada no
movimento barroco, a exemplo do campanário de tripla ventana a rematar a
fachada principal.
Constituída por três naves com quatro tramos e capela-mor, à qual se
adossou a sacristia e o cartório, a igreja alberga um interior composto de
obras notáveis de pintura a óleo sobre madeira, assim como de escultura e
de talha, especialmente na capela-mor coberta por 27 caixotões com
episódios da Vida de Cristo e da Virgem. encontrando-se. Uma riqueza artística que podemos observar de igual modo na talha dourada policroma
dos retábulos presentes nos altares laterais, assim como nas coberturas em
falsa abóbada de madeira na nave central cobertas por pintura figurativa,
bem como nas cenas da Paixão que cobrem a meia abóbada de aresta nas
laterais.