“Igreja quinhentista de planta retangular com três naves, capela-mor, absidíolos e sacristia. No alçado principal regista-se um portal manuelino, de arco abatido ladeado por pilastras e decoração relevada. A espacialidade interior é de tipo igreja-salão, com notável abóbada de pedraria. Possui preciosos retábulos de talha barroca e, na capela-mor, dezasseis painéis quinhentistas atribuídos à escola de Grão Vasco. Uma das três igrejas manuelinas com abobadamento das naves à mesma
altura, a Igreja de Matriz de Freixo de Espada-à-Cinta é uma igreja-salão
mandada edificar por D. Manuel no local de um antigo templo gótico,
inicialmente construído no reinado de D. Sancho II.A campanha do século XVI haveria de se arrastar por muito mais tempo,
praticamente um século, e as obras encerraram definitivamente depois da restauração da independência, já em pleno reinado de D. João IV. O exterior
apresenta uma feição bastante austera e compacta, denunciando o
abobadamento interior à mesma altura, e as necessidades estruturais de
base a essa solução. O portal principal, ladeado por dois grandes
contrafortes, é de arco abatido e sobrepujado por uma composição
decorativa manuelina que termina em dois óculos, sendo estes os únicos
elementos que suavizam toda a austeridade estrutural que caracteriza o
monumento. Ao longo do tempo a igreja foi sucessivamente enriquecida, e ainda que em
nenhum momento se tenha secundarizado o carácter manuelino de todo o
conjunto, são várias as obras modernas que ainda se podem contemplar no
interior da igreja. Na capela-mor, inseridas num amplo painel de talha
dourada barroca, subsistem tábuas do retábulo-mor original, da autoria de
Grão Vasco e datável da década de 20 do século XVI. Esta campanha
barroca do reinado de D. João V privilegiou essencialmente a renovação do
retábulo-mor, em talha barroca estilo nacional, a construção do coro e a
remodelação da sacristia, mantendo os elementos essenciais manuelinos
que chegaram praticamente íntegros até aos nossos dias.”