Mogadouro

José Francisco Trindade Coelho

Trindade Coelho

Obra.

Celebrizou-se pelo livro de memórias In Illo Tempore (1902) e, sobretudo, pelo volume de contos rústicos Os Meus Amores (1891), eivado de saudosismo e de reminiscências da infância vivida em Trás-os-Montes, onde foi de encontro ao desejo neogarrettista de regresso às origens nacionais, expresso no artigo inaugural da Revista Nova, de 1893: “necessário é retemperar-nos nas camadas onde essas qualidades [fundamentais do nosso génio] mais perfeitamente se mantêm, indo às províncias do país buscar para os desfalecimentos do espírito a saúde e o vigor que para as enfermidades do corpo vamos pedir às brisas salgadas do mar e ao ar fortificante dos campos, mergulhando e realentando-nos nesse fecundo veio, que, depois de Garrett, ninguém mais soube sondar e seguir”.

Nascimento

Escritor e jurista, José Francisco Trindade Coelho nasceu a 18 de junho de 1861, em Mogadouro.

18 de junho de 1861

delegado do procurador régio

Após ter exercido a advocacia durante algum tempo, em 1886, graças ao empenho de Camilo junto do seu amigo Tomás Ribeiro, então ministro de Estado, foi nomeado delegado do procurador régio no Sabugal, transitando depois para Ovar e, em 1889, para Lisboa.

1886 - 1889

Nomeação de Juiz

Em 1895, foi finalmente nomeado juiz em Lisboa.

1895

Exoneração do lugar de delegado do procurador régio

Em 1907, durante a ditadura de João Franco, foi exonerado do lugar de delegado do procurador régio.

1907

Morte

Suicidou-se a 9 de junho de 1908, em Lisboa

9 de junho de 1908

Passei rente ao alecrim,
Sete folhas Ihe colhi,
Eram os sete sentidos
Que eu tinha postos em ti.
Quatro com mais três são sete,
Meu amor, ja sei contar,
Já me enganaste uma vez,
Não me tornas a enganar.
Sete Silvas em meu peito
Fizeram ’ma sociedade,
Todas sete me prenderam,
Só uma foi de vontade.
Algum dia por te ver
Saltava sete quintais,
Agora por te não ver
Salto Vinte que são mais.
Três vezes nove vinte e sete,
Mais amores tenho eu;
Se mais quisesse mais tinha,
Foi fado que Deus me deu.
A morte tem sete anéis
Que a todo o mundo brindou,

E foi sempre tão cruel
Que até a Cristo matou.
Sete flores de qualidade
Eu tenho no meu jardim,
A mais linda delas todas
Tenho-a guardada pra ti.
Sete penas, doce encanto
Por ti sofro o meu degredo,
Ainda que a morte venha
Heide-te amar sem ter medo.

Os grandes paspalhões assinalados,
que nas reuniões da Academia
Foram solenemente apepinados
Por sua telha ou sua fidalguia,
Que nas guerras das mocas esforçados
Mais do que a forma humana permitia
No Teatro Académico asnearam
Tolices de que todos se espantaram;


E também as façanhas gloriosas
Dos Cabrais e Waldecks e quejandos,
que à noite, com as vozes mais fanhosas,
andam o níveI a pedir em bandos;
E as diabólicas fúrias deliciosas
De certos quintanistas memorandos,
Cantando espalharei por toda a parte.
Ha-de-se rir o mundo até que farte.

O musa da ironia e da arruaça,
Que tens excepcionais o gesto e o peito,
Vira-te para mim e poe-te a jeito
De inspirar um poema de chalaça;
Quero um poema esplêndido, perfeito,
Que vos celebre e que subir vos faça,
Num pulo só, da gloria a mor altura,
Cavaleiros da mais triste figura!
Haviam sido há pouco apepinados
Os meus heróis, que andavam murmurando
que na Trindade ou para aqueles lados
Se estava contra eles conspirando,
Quando uma noite andando endiabrados
Pela Feira sobre isto conversando,
Uma moca que os ares escurece
Sobre as suas cabeças aparece.

Viu-se o Waldeck! Vinha carregado
Com a moca que pôs a todos medo.
“Ai rapazes!, bradou, venho estafado
Qual se trouxesse às costas um rochedo!
Deixai-me descansar só um bocado
Para depois contar-vos um segredo.”
E diziam os outros: “Co’esta moca
‘Stamos seguros, pois ninguém nos toca.”

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